Paris, France
Minha Paris favorita não é a dos museus — é a das ruelas do Marais, das vitrines de macarrons na Rue de Rivoli e dos bares de jazz no Saint-Germain. Chega sem pressa, porque a cidade pede isso de você. Dica de ouro: compre um carnet de 10 viagens no metrô logo no aeroporto, vai usar muito. Para hospedagem, os bairros Le Marais (3º/4º arrondissement) e Saint-Germain-des-Prés (6º) são perfeitos — centrais, charmosos, cheios de brechós e padarias na porta. Se quiser algo mais tranquilo e romântico, Montmartre (18º) tem aquela energia de vila dentro da cidade, mas exige um pouco mais de deslocamento. // SÁBADO — Dia 1: Chegada e primeiras impressões // Do aeroporto Charles de Gaulle, pega o RER B direto até a estação Saint-Michel–Notre-Dame (uns 35-40 min, ~€11,80). É o jeito mais fácil, sem estresse com táxi. Deixa as malas no hotel e respira. À tarde (por volta das 14h), começa com uma caminhada leve pelo Le Marais — é o bairro mais charmoso da cidade e cheio de brechós incríveis. Para as compras de brechó, não deixa de passar na Rue de la Verrerie e arredores: a loja Kilo Shop (69 Rue de la Verrerie, aberta seg-sáb 11h-19h30, dom 12h-19h) vende roupa vintage por quilo e é um achado. Outra ótima pedida é a Free'P'Star (8 Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie, aberta todos os dias 11h-21h) — menor, mais garimpada, muito boa. Depois de garimpar, merece um doce. Vai até a Pierre Hermé (72 Rue Bonaparte, aberta todos os dias 10h-19h30) no Saint-Germain — os macarrons dela são os melhores da cidade, sem discussão. Experimenta o sabor Ispahan (framboesa, lichia e rosa) e me agradece depois. Para o jantar, fica no Saint-Germain mesmo: o Bouillon Racine (3 Rue Racine, aberto todos os dias 12h-23h) é lindo, histórico no visual mas com comida francesa clássica e preço justo. Pede o boeuf bourguignon. // DOMINGO — Dia 2: Vista, pôr do sol e jazz // Começa o dia sem pressa. Café da manhã na Du Pain et des Idées (34 Rue Yves Toudic, aberta seg-sex 7h-20h — atenção, FECHA no fim de semana). Como é domingo, vai de alternativa: a Café de Flore (172 Boulevard Saint-Germain, aberta todos os dias 7h-1h30) é um clássico parisiense com croissant e café com leite perfeito — sim, é turística, mas uma vez na vida vale a experiência. Depois do café, pega o metrô linha 6 até o Trocadéro (estação Trocadéro). A vista da Torre Eiffel dali é a melhor da cidade — e gratuita. Chega por volta das 10h antes de lotar. Passeia pela região, tira todas as fotos que quiser. Almoço leve: na Rue de Passy pertinho, tem várias boulangeries. A Pâtisserie Carette (4 Place du Trocadéro, aberta todos os dias 7h30-23h30) é ótima — pede uma quiche e um éclair de chocolate. À tarde, se quiser um brechó diferente, vai de metrô até Pigalle (linha 2) e explora a Rue des Martyrs e arredores — tem brechós menores, mais alternativos e muito charme. Mas guarda energia: o pôr do sol hoje é o programa principal. Sobe a Butte Montmartre a pé ou de funicular (incluso no bilhete de metrô) e chega na frente da Sacré-Cœur uns 30 minutos antes do pôr do sol — em abril/maio por volta das 20h30-21h, em junho perto das 21h30. Leva um vinho ou cidra de uma cave do caminho, senta nos degraus e aproveita. É de tirar o fôlego. Para a noite, jazz! O Caveau de la Huchette (5 Rue de la Huchette, aberta qui-dom a partir das 21h30, entrada ~€15) é uma cave de jazz dos anos 40, dança-se na pista, é incrível e autêntico. Fica no Quartier Latin, pertinho do Saint-Germain. // SEGUNDA — Dia 3: Rio, mercado e jazz intimista // Hoje começa com um café de bairro, sem pressa. Se hospedada no Marais, vai à Café Charlot (38 Rue de Bretagne, aberta todos os dias 8h-2h) — descolado, cheio de parisienses de verdade. Pede um café allongé e uma tartine com manteiga e geleia. Depois do café, vai ao Marché des Enfants Rouges (39 Rue de Bretagne, aberto ter-sáb 8h30-19h30, dom 8h30-14h — fechado segunda), então aproveita que é segunda para ir ao Marché d'Aligre (Place d'Aligre, 12º arr., aberto ter-dom até ~13h) de metrô (linha 8, estação Ledru-Rollin) — é um mercado de rua mais autêntico, com frutas, queijos, e uma parte de brechó/antiguidades na praça. Garimpa bastante! Almoço por lá mesmo, tem barracas de comida gostosa. À tarde, passeio de bateau mouche pelo Sena — pega na Pont de l'Alma (metrô Alma-Marceau, linha 9). O passeio dura ~1h, custa ~€15 e dá uma perspectiva completamente diferente da cidade, vendo as pontes e monumentos da água. Sem museu, sem fila, só vista linda. Fim de tarde: volta para o hotel, descansa um pouco (isso é viagem tranquila, lembra?) e capricha no look para a noite. Jantar no Le Comptoir du Relais (9 Carrefour de l'Odéon, aberta todos os dias — jantar a partir das 19h30; reserva com antecedência para o jantar!) — pequeno, clássico, delicioso. Para o jazz da noite, o Jazz Club Étoile dentro do hotel Le Méridien Étoile (81 Bd Gouvion Saint-Cyr, 17º arr., shows geralmente a partir das 21h30, entrada ~€20-25 com consumação) tem programação incrível e som de qualidade, num ambiente mais sofisticado. Vale muito! // TERÇA — Dia 4: Último dia, doces e despedida // Último dia, então começa com o melhor café da manhã possível. A Ladurée (75 Avenue des Champs-Élysées, aberta todos os dias 7h30-23h) tem um salão lindo para tomar café com macarrons — sim, é turística e cara, mas é a experiência completa. Pede o petit déjeuner e uma caixa de macarrons para levar na mala. Caminha pelos Champs-Élysées sem pressa (é bonito de ver, mesmo que comercial), e depois sobe a Avenue Montaigne para ver as vitrines das grifes — não precisa comprar nada, só passear e sentir o clima. Para um último garimpo de brechó, volta para o Marais e vai à IRL Vintage (6 Rue Dupetit-Thouars, aberta ter-dom 12h-19h30, fechada segunda) — curada e super bacana. Almoço de despedida: L'As du Fallafel (34 Rue des Rosiers, aberta dom-sex 11h-23h, fecha sábado) no Marais é uma instituição — fila rápida, sabor inesquecível, custa uns €7. Simples e perfeito. À tarde, última caminhada pelo Marais ou Saint-Germain com calma, compra os últimos souvenirs (macarrons, fleur de sel, chocolates da Patrick Roger na Rue de Rennes) e vai para o aeroporto. Do Saint-Michel ou de qualquer estação central, pega o RER B de volta ao CDG — sai de hora em hora, conta com 40 min de viagem e chega com 2h de antecedência no aeroporto. // DICAS GERAIS: Google Maps funciona muito bem para metrô e caminhadas. O app Bonjour RATP ajuda com linhas de metrô. Leva uma sacolinha retornável na bolsa para o garimpo. A maioria dos brechós do Marais aceita cartão, mas mercados ao ar livre preferem dinheiro. E última dica de amiga: reserva pelo menos uma tarde só para sentar num café, pedir um vinho e observar os parisienses passarem — isso também é Paris.